Nas miudezas da vida, a gente percebe claramente o quanto ela é curta. Hoje tá tudo bem; amanhã não se sabe. E a maioria dos percalços não necessariamente é controlável. São coisinhas pequenas aqui e ali que mudam um todo gigante sem nem percebermos.
Quando era pequena, acreditava veemente que a vida ia demorar muito. Queria crescer logo, amadurecer, fazer a maior idade, poder ter controle sobre minhas escolhas e atitudes. Não que não tivesse na época, mas sabemos que as escolhas da infância são baseadas em contos muito distantes da realidade. Só que, no fundinho, acho que é isso que faz os olhos brilharem pelo futuro, sabe? A gente idealiza tanto o que quer ser quando crescer, mas, ao chegarmos no objetivo, o brilho some.
Quem nunca quis voltar a ser criança e se preocupar com o horário do desenho preferido passando na televisão? Quem nunca quis voltar a ser criança para sentar no chão do quarto e chorar pelo joelho ralado? Quem nunca quis voltar a ser criança para acordar um dia qualquer com dor de barriga e ganhar toda a atenção possível? E a gente sente falta não dos momentos em si – apesar que eles também são inesquecíveis –, mas de como era fácil lidar com os problemas.
Alguém sempre lidava com eles pela gente – ou a falta de maturidade justificava os surtos.
Hoje, já na casa dos 30, sinto que tudo está passando muito rápido. Num piscar de olhos, o ano acabou, o Natal já está ganhando as lojas de novo, os fogos já estão sendo programados... E parece que eu ainda estou presa nos três, quatro ou cinco últimos anos. Não que eu esteja vivendo no passado, longe disso, mas, vez ou outra, me pego pensando o quanto as coisas poderiam ser diferentes.
Eu podia ter começado uma nova faculdade, escrito um livro, saído mais vezes para curtir a noite, planejado viagens, encontrado os amigos com mais frequência, conhecido novas pessoas, vivenciado novas experiências, aproveitado mais o frio, aproveitado mais o calor. Podia ter feito tanta coisa. E essa tanta coisa me colocaria num lugar tão diferente do hoje.
É estranho e confuso pensar sobre isso. É um pouco assustador também.
Só que, ainda que me arrependa do que não fiz, também não me arrependo do que fiz. A verdade é que só queria que o tempo passasse mais devagar. Queria poder fazer como naquele filme, em que o protagonista vive o mesmo dia duas vezes, uma do jeito certo e outra do jeito que gostaria de viver. Acho que isso me faria ver a vida de outra forma. Mas talvez não desse tanto valor...

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