13 julho 2026

Deixa pra lá

Quando percebemos que não há mais nada a se dizer, julgo que o caminho mais certeiro seja para trás. Não digo que a desistência seja bonita ou leve – ela nunca é –, mas tem coisas e pessoas que, por mais que a gente insista, explique, justifique, tente compreender e relevar, elas não parecem ser ou simplesmente não são. E olha que eu gosto muito de tentar, enfrentar, estender a mão e dizer "eu vou com você", só que isso exige reciprocidade – do outro ou da própria vida.

A ideia de deixar pra lá não é das que mais me agrada, mas faz um bem danado.

"Viu que Fulano falou de você?", não vi, não sei, deixa falar. "Viu que Ciclano e Beltrano estão fazendo isso e aquilo?", não vi, não sei, deixa fazer. "Viu que...", não vi... Não sei... Não quero saber... Não quero entender... Deixa pra lá. O estoicismo, mesmo que meio bruto e cruel para a maioria da opinião popular, tem me mantido sã nos últimos anos. Juro.

Penso que tudo aquilo que nos pertence – não de forma possessiva, viu? – sempre encontra um jeitinho de nos encontrar. Pode rolar uma briga, um desentendimento, uma troca de rota, uma dúvida e, quem sabe, até um afastamento, mas é passageiro. 

Também não estou dizendo que sentar e esperar pelo Universo seja o ponto-chave pra conquistar o que queremos, só que a gente perde muito tempo tentando entender e encaixar o que não nos serve.

É por isso que, quando me deparo com uma situação com a qual não tenho mais cartas na manga, não sei mais o que fazer ou dizer, minha reação é apenas dar um passo pra trás. Deixar pra lá. A gente sabe exatamente no que vale a pena insistir, e se o outro ou um causo em específico já tenha escorrido por suas mãos tantas vezes quanto você aguentou, o caminho não é a perseverança, mas o enxergar por outros ângulos. 

E nem sempre eles são bonitos.

Deixa estar. Se fizer parte do que o Universo reservou pra você, vai se transformar.

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