20 agosto 2026

Certeza das certezas

A vida é um pouco engraçada se pararmos pra pensar bem. Chega a ser até um tanto cômico refletir sobre isso, sabe? Não por arrancar longas risadas e sair por aí distribuindo afetos, mas porque ela sempre encontra um jeitinho de nos mostrar para onde ir, no que insistir, o que deixar pra trás... Ela mostra caminhos bem cristalinos algumas vezes, só que deixar o ego de lado dói um pouquinho.

Explico: é natural do ser humano buscar validações, independentemente da fonte, e costumamos fazer isso com o Universo também. Já reparou? "Se eu estiver no caminho certo, me mostra...", "se essa pessoa for A pessoa, me dê um sinal...", "se essa escolha for a mais coerente, não me faz querer escolher outra..." dentre tantos outros pedidos "sutis" que a gente joga pra ele e espera incansavelmente por uma resposta.

Não que haja algo errado em fazer isso; eu, por exemplo, faço incontáveis vezes por dia, mais até do que gostaria. O problema é que a gente já sabe a resposta, entende? A gente sabe quando está no caminho certo, sabe quando aquela pessoa é insubstituível, sabe quando aquela escolha é a mais sensata... A gente sabe muito, inclusive com muita certeza. Só que buscamos uma validação, mínima que seja, pra que, se algo der errado, a culpa não seja necessariamente nossa.

E é nesse ínterim que mora a graça. Nós pedimos por respostas, e elas sempre aparecem, mas não da forma como talvez estejamos preparados para recebê-la. Aquele obstáculo estanho no meio da estrada que faz você dar meia voltar e tentar outro percurso, o sentimento inquietante e angustiante de que nada nunca está certo com aquela pessoa, o mar de possibilidades que nos enchem os olhos e nos fazem questionar se realmente é isso que queremos pra nossa vida. As respostas estão aí, bobas, em forma de pegadinhas, quase que brincando com nosso juízo, mas estão.

E mesmo com o Universo nos respondendo, a gente fica naquele limbo entre acreditar nos sinais ou permanecer na dúvida, insistindo até ter certeza. E posso contar um segredo? Nenhum mistério, aliás... Mas ninguém tem certeza de nada. Acho que nem a vida é tão certa assim.

A única certeza de que tenho é que um dia não vou estar mais aqui. Meu corpo vai virar cinzas e, quem sabe, minha alma encontre um jeitinho de vagar por aí. Fora isso, tudo o que me cabe são escolhas. A certeza pode vir um dia, numa quinta qualquer, em meio à chuva e num café quentinho, só que nem isso é uma certeza. Nem ter certeza sobre a certeza a gente tem. Cômico, vai...

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