É estranho falar sobre solitude porque nem todo mundo entende o valor de aprender a se bastar. Quando você toca no assunto ou esboça certa tranquilidade em dizer que não se sente pressionada, sempre tem aquele que olha torto e solta um "é porque você não encontrou as pessoas certas para estar junto". Só que não é sobre isso, sabe? Não é sobre estar sozinha e se sentir assim – apesar de que alguns dias são mais pesados que outros, sim –, mas sobre aprender a gostar de estar só.
Levou um tempo até eu entender que nem tudo requer companhia. E nem toda companhia vale a paz de se estar sozinho. Você pode tomar um café com alguém querido em algum lugar legal, mas também pode fazer isso consigo mesmo, só pelo prazer de sair de casa e fazer algo diferente. Você pode comprar flores para presentear alguém, mas pode comprar para si mesmo porque gosta de ver um vaso bonito em cima da mesa da cozinha. Você pode viajar com pessoas de sua estima para fortalecer o vínculo, mas nada lhe impede de fazer isso sozinha pelo simples fato de querer.
Não dá para deixar de viver porque ninguém vai com você. Quem quiser ir, vai achar um jeitinho de se incluir no roteiro. E nem todo mundo está disposto e aberto a compartilhar certos momentos. E tá tudo bem. Você vai ter amigos para a farra, vai ter aqueles mais reservados para um cafézinho num final de semana, outros que preferem as aventuras de uma trilha num domingo de sol... E vai ter a si mesmo quando nenhuma outra companhia fizer sentido.
E confesso que levei um tempo até entender que não preciso me isolar ou deixar as pessoas de lado por conta dessa "confusão" solitária. A verdade é que a gente aprende a gostar de si mesmo quando nos abrimos para os outros. Todos carregam um mundo particular que vai se moldando conforme as experiências e vivências. E isso inclui relações, afetos, decepções, aprendizados. Aqueles que nos rodeiam carregam um pouquinho da gente, e a gente carrega um pouquinho deles também.
Ah, e vale dizer que, quando a gente se basta e aprende a fazer as coisinhas sem ficar precisando de validação, criar vínculos se torna muito mais fácil. Um relacionamento se torna mais tranquilo, uma amizade se torna mais leve, um ambiente de trabalho se torna mais organizado. Você não depende emocionalmente de ocupar espaços e passar por cima das pessoas.
Quem quiser compartilhar a vida com você, vai deixar isso bem claro. E se você quiser e permitir que isso aconteça e que seja recíproco, seu emocional vai estar em dia para lidar com as inúmeras questões que qualquer relação humana requer – ainda mais as de hoje.

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