19 junho 2026

Dias e dias

Sabe quando parece que as coisas finalmente estão dando certo, entrando nos eixos, quase como se o Universo parasse por alguns segundos para ouvir as milhares de súplicas que fazemos todos os dias, sem descanso? Achei que estava numa fase assim, de caminhos, pensamentos e até coração mais aberto. Achei que o Universo estava me dando uma colher de chá pelas tantas presepadas que já aconteceram. Achei, por um instante, que eu tinha me encontrado no meio do turbilhão que é a minha cabeça. Achei, sabe? Achei mesmo...

Só que, sem qualquer aviso prévio, a vida vem e derruba a gente de novo, e de novo, e de novo. Um ciclo vicioso. Estar bem > estar feliz > estar realizado > começar a questionar > começar a perceber > negar > aceitar > recomeçar. Essa maldita linha do tempo se repete dias e dias, e eu fico aqui pensando por que cargas d'água ainda não aprendi o percurso.

Sempre vai acontecer alguma coisa pra fazer a gente voltar à realidade e manter os pés no chão. É que eu gosto – muito! – de saltitar por aí, sonhar acordada, imaginar cenas e cenários, supor situações, repassar conversas... Essas coisas que soam meio bobas, mas me fazem ter esperança. Essas coisas que, dia ou outro, eu sei que vão se tornar realidade e brilhar os olhos, mas que, por ora, são só fantasias que me permitem ser mais quem sou e menos quem os outros esperam que seja.

Tem dias, como hoje, que não consigo sentir nada. Fico apática. Não me importo se fulano conversou comigo, se respondi ou não aquela mensagem, se sorri ou não para o desconhecido na rua, se fui grossa, se fui indiferente, se fui extravagante. Só não me importo com nada. E eu sei que isso pode soar estranho para quem não me conhece, mas confesso que também soa confuso pra mim.

Tem dias, como ontem, que fico no meio termo. Não gosto. Detesto o morno, o vai-não-vai, o disse-me-disse, a falta de clareza, a confusão. Mas são dias menos complicados, mais amenos, provavelmente bem mais leves. São aqueles dias em que ainda há uma pontinha de esperança, mas ela é mais realista. Me convida pra tomar um café às 16 horas só para alinhar as expectativas.

E tem dias, como anteontem, que eu me abro de forma tão genuína, tão sincera, que sinto como se o mundo fosse um lugar muito pequeno pra tudo que quero ser, pra tudo que preciso falar. E são esses dias que mais me alegram, mais me confortam. Não por parecem distantes da realidade, mas porque me convidam a ser uma versão melhor, a não levar as coisas tão a sério. 

Queria, verdadeiramente, que esses dias fossem uma constância, mas, no fundo, entendo que os dias como hoje também me ensinam. E acho que é nesse vai e vem que a vida acontece, os machucados vão melhorando, as cicatrizes se tornando menos aparentes, os vazios sendo preenchidos de outras formas... É que tem dias e dias, e, às vezes, a gente só quer passar por eles.

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