Vi um vídeo esses dias em que uma moça falava sobre experiências. Dizia ela que tudo na nossa vida não passa de uma experiência, e isso inclui desde pessoas até vivências propriamente ditas. Quando a gente consegue perceber essa mudança de conceito ou paradigma, como queira chamar, compreende que não estamos vivendo o auge, o máximo do que podemos e temos capacidade. Estamos vivendo uma experiência, e ela pode ser o topo, mas, na maioria avassaladora das vezes, é só passagem.
Gosto de fazer a analogia da estação de trem: nossa vida é tal qual uma estação esperando pelas próximas paradas e partidas. Alguns passageiros demoram mais, outros saem no momento mais oportuno, têm aqueles que postergam ao máximo porque a espera é confortável, alguns se atrasam porque dependem de outras estações... Mas todos estão indo e vindo. Sempre tem aquele passageiro que volta, que tem aquela estação quase como segunda casa porque precisa ou gosta de estar em constante movimento. Também tem aquele que nunca mais pisa os pés porque entende que pode encontrar estações melhores.
E tá tudo bem, sabe?
Não me refiro somente a pessoas, a encontros e desencontros, viu? O passageiro pode ser um amor, pode ser um emprego, quem sabe uma amizade, talvez uma intercorrência ou, ainda, uma decisão. E a partir do instante em que nos damos conta de que tudo é mutável, depender somente dos passageiros é como pedir a um estranho na rua para que resolva seus problemas. Ele até pode fazer isso de bom grado, mas onde estaria a graça de conduzir uma estação e nunca prestar atenção nas novas histórias, nunca conhecer novos rostos, nunca ouvir alguém lhe pedindo um conselho, nunca presenciar afetos?
Por mais que o tempo passe, sinto que comparar meus dias a uma estação de trem em funcionamento pleno é menos caótico. Não porque quero me livrar da responsabilidade do que falo ou faço perante todos que estão de passagem, mas porque se torna menos pesado quando alguém nunca mais aparece e mais gostoso quando alguém chega falando que quer ficar por um bom tempo.
E, de novo, vale dizer que isso não é sobre pessoas ou estações de trens.

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