07 maio 2026

E se eu voltasse?

Já comecei e recomecei este texto algumas vezes. Nada me parece bom o suficiente para explicar o motivo de ter feito uma postagem sobre recomeços e simplesmente sumir. Na verdade, acho que tenho feito isso com mais frequência do que gostaria. Acho que me escondi de mim mesmo por um bom tempo antes de me dar conta de que preciso – preciso mesmo – me encontrar.

É estranho reler textos antigos e pensar que, na época, achava que sabia muito sobre a vida. Sempre fui tão convicta do que escrevia que, hoje, relendo cada trechinho publicado, caiu a ficha de que de nada sei. Os anos passam, as ideias mudam, os pensamentos se reconstroem. Nada permanece fixo por muito tempo, nem os sonhos, nem as pessoas, nem os desejos. A gente muda o tempo todo, quase como mudamos de roupa. E, se duvidar, muitas máscaras também são usadas nesse vai e vem, não é?

Hoje me encontro mais em dúvida sobre mim mesmo e sobre a vida do que nunca. Aquela que sempre teve uma linha do tempo milimetricamente sonhada e desejada, não faz mais nem ideia do que anda fazendo. Por vezes, até penso que tirar um ano sabático poderia me fazer bem... Sair por aí, conhecer novos lugares, novas pessoas, novas experiências... Ter contato com novos desejos. Penso que falta um pouco disso, sabe? Falta um pouco mais de tesão pela vida.

É que tudo anda tão "e se", que o "e se" já se tornou uma certeza. Tá todo mundo com medo de alguma coisa. Provavelmente eu me encaixo nesse "todo mundo". E aí me vem todas as vezes que escrevi sobre isso, chorei as pitangas, relutei, disse e desdisse que odiava o "e se". Só que ele faz parte do meu dia a dia com tanta força que, no momento, me pego pensando nos quases de tantas decisões não tomadas, por mim ou pelos outros.

Inclusive, aí entra outro ponto que preciso começar a considerar: as decisões das pessoas me afetam bem mais do que gostaria – e deveria. Logo eu, que batia pé e falava em voz alta que ninguém tinha o direito de tirar a minha paz. Pois tiram, todo dia, quase sempre por motivos fúteis dos quais nem vou lembrar daqui a alguns anos. É que minha cabeça não para, nunca mesmo. Ela funciona 24 horas, segundo a segundo, criando planos, momentos, diálogos, talvez até encontros e desencontros que não vão existir – ou quem sabe ainda se concretizem, mas naturalmente não da maneira como imagino.

Acho que, por ora, a única certeza que tenho é a escrita. Ela sempre me acolheu, me descreveu, me deu colo e clareza para pensar melhor, entender melhor, performar melhor... Afinal, tá todo mundo vivendo uma grande performance, não é? Uma atuação um tanto quanto barata para viver um dia após o outro.

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